Publicado por: fornada em: janeiro 22, 2012
Vou me deixar ficar aqui por mais uns minutos, tomando um Martini nesse copinho verde esmeralda.
De plástico e da cor do jade, fininho como cristal e ordinário como o cotidiano.
Comum, comum.
Me apaixonei por ele assim que o vi. Daquela forma despojada que atualmente nos apaixonamos por novidades cada vez mais efêmeras e baratas de adquirir.
Foi feito para o descarte. Para festa de preguiça, que acaba sem louça para lavar.
Tivesse eu feito o uso corriqueiro dele não estaria agora escrevendo ao seu lado.
Tivesse ele se demorado menos em cima da mesa, ao lado do computador, já estaria no lixo.
Já foi lavado várias vezes. Já acolheu coca-cola, saquê e limonada.
De gostar de vê-lo ao meu lado, como que me chamando para que eu descubra um segredo, não consigo mais me desfazer da sua companhia – inventei brincar de “Majestade” com minha pequena sopa Campbells.
O tempo foi passando e sua presença contaminou o meu olhar com uma estranha reverência.
Meu copo deixou de ser plástico e se tornou, ante meus olhos, simplesmente Copo.
E eu, que não pude mais me desfazer dele, finalmente me deixei levar pelo que ele emanava.
Como os loucos obcecados pelo cristal rubro do filme do Herzog, sua existência se misturou na minha.
Ele e eu concordando em silêncio, antes de dormir: não há valor que resista ao tempo.
Mas, mais primitivo que isso: não há tempo que não se curve à grandeza da essência.
Copos são seres mágicos que vieram ao mundo para conter.
Existem para sustentar o que é informe.
E, tendo essa maneira de existir, não se importam se foram feitos de cristal, vidro, aço ou polipropileno.
Simplesmente transportam o que deve ser contido de um lugar para outro, emprestando seu vazio para preenchermos o nosso.
Adorei! Bjo Bjo Bjo!
janeiro 22, 2012 às 3:40 pm
irado e piradon me veio a mente xD
Curti de verdade
\n___n