Fornada

Borboletas sempre voltam

Publicado por: fornada em: novembro 28, 2011

Este ano de 2011 – que já está prestes a acabar – Darwin e seus admiradores foram meus companheiros de cabeceira, à noite, antes de dormir.

Entre uma espiada ou outra em outros livros, também muito legais, não consegui largar de ler “A expressão das emoções no homem e nos animais” do próprio Darwin e a última edição de sua biografia, escrita por Janet Browne, “Charles Darwin – o poder do lugar”.

E, quando digo “ano” é no sentido absolutamente literal. A biografia tem dois volumes, com mais de oitocentas páginas cada, e os próprios escritos de Darwin fazem supor que ele não fez nada além de escrever na vida.

Agora sei que ele também vomitou muito. E também leu romances românticos, nos quais era viciado, destinados às mocinhas da época.

Intrigante e deliciosamente inesperado.

Como sempre é tudo o que é real.

O texto que reproduzo abaixo conta como Darwin “previu” a existência de uma borboleta, até então nunca vista, através da observação de uma orquídea.

 

Extraido de http://www.ideariumperpetuo.com/borboletas.htm

 

Os lepidópteros exploram diferentes recursos alimentares durante seu ciclo de vida.

As larvas de borboletas são tipicamente folívoras, enquanto os adultos consomem alimentos fluídos, como o néctar que extraem das flores ou o suco dos frutos maduros que caem das árvores.

Há que se atentar para o fato de que, no processo evolutivo, a associação de determinados grupos de insetos (gêneros, tribos, subfamílias etc.) obedece uma inter-dependência bastante rígida e exclusiva (famílias, gêneros, espécies etc.) com as plantas hospedeiras  que  compõem  sua  alimentação.

Além disso, os micro-habitats dessas plantas fornecem um lugar seguro para a reprodução e subsistência dos indivíduos e preservação de sua espécie.

A interdependência das espécies de insetos (como polinizadores) e plantas (como fonte de alimento) é tão sofisticada e exclusiva que o desaparecimento de um grupo compromete irremediavelmente  a 

existência  do  outro.

Para ilustrar a importância desses insetos no meio ambiente e exemplificar o que dissemos acima, temos o mais famoso dos casos  de  previsão da existência de uma espécie  na  Entomologia.

 

Angraecum Sesquipedale

com seu rostrellum (tubo)

curvado para cima

A mariposa Esfinge de Morgan, originária de Madagascar, tem uma tromba (probóscides) com cerca de 31 a 36 centímetros de comprimento que a permite coletar alimentos (néctar) de um tipo de orquídea que foi  estudada por Charles Darwin.

 

Em sua obra, “On the Various Contrivances by Which British and Foreign Orchids are Fertilized by Insects”, publicada em 1862, Charles Darwin predisse:“ . . . é surpreendente que algum inseto seja capaz de alcançar o néctar . . . Mas em Madagascar devem existir mariposas com probóscides com uma extensão de 25 a 28 centímetros . . . As políneas não poderiam ser coletadas a menos que uma imensa mariposa, com um probóscide maravilhosamente longo tentasse sugar a última gota. Se essa mariposa viesse a se tornar extinta em Madagascar, certamente que o Angraecum também seria extinto . . .”

 

Xanthopan coletando néctar

 

 

Quarenta anos depois, em 1903, Walter Rothschild e Karl Jordan descobriram e descreveram  essa mariposa  e deram-lhe o nome de Xanthopan morgani  predicta, que salienta o importante fato de ter tido sua existência predita pelo famoso naturalista inglês, ao estudar a orquídea Angraecum sesquipedale.

Essa orquídea produz e armazena néctar no fundo de um longo tubo (rostrellum). Ao tentar coletar esse doce líquido, a mariposa introduz sua longa espirotromba (probóscides) neste tubo e, ao fazê-lo, coleta as políneas que estão estrategicamente dispostas, e que serão levadas e depositadas em outra orquídea, polinizando-a.

Assim, para que essa orquídea com um tubo (rostrellum) de mais de 30 cm possa existir é necessário que um polinizador equipado com uma tromba de igual dimensão também exista.

Foi exatamente isso que a Xanthopan morgani predicta  veio 

comprovar!

 

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