Fornada

A bala do Grande Coelho Branco

Publicado por: fornada em: janeiro 26, 2012

Hoje não é um dia de desafiar a morte ingerindo comida preta. Nada de lulas cozidas em sua tinta, caviar, funghi, geléia de amora.

Hoje eu queria que me dessem uma bala de leite. A “Bala do Grande Coelho Branco”

http://www.youtube.com/watch?v=FQC8uDrArZA

Coração de Cristal

Publicado por: fornada em: janeiro 22, 2012

Vou me deixar ficar aqui por mais uns minutos, tomando um Martini nesse copinho verde esmeralda.

De plástico e da cor do jade, fininho como cristal e ordinário como o cotidiano.

Comum, comum.

Me apaixonei por ele assim que o vi. Daquela forma despojada que atualmente nos apaixonamos por novidades cada vez mais efêmeras e baratas de adquirir.

Foi feito para o descarte. Para festa de preguiça, que acaba sem louça para lavar.

Tivesse eu feito o uso corriqueiro dele não estaria agora escrevendo ao seu lado.

Tivesse ele se demorado menos em cima da mesa, ao lado do computador, já estaria no lixo.

Já foi lavado várias vezes. Já acolheu coca-cola, saquê e limonada.

De gostar de vê-lo ao meu lado, como que me chamando para que eu descubra um segredo, não consigo mais me desfazer da sua companhia – inventei brincar de “Majestade” com minha pequena sopa Campbells.

O tempo foi passando e sua presença contaminou o meu olhar com uma estranha reverência.

Meu copo deixou de ser plástico e se tornou, ante meus olhos, simplesmente Copo.

E eu, que não pude mais me desfazer dele, finalmente me deixei levar pelo que ele emanava.

Como os loucos obcecados pelo cristal rubro do filme do Herzog, sua existência se misturou na minha.

Ele e eu concordando em silêncio, antes de dormir: não há valor que resista ao tempo.

Mas, mais primitivo que isso: não há tempo que não se curve à grandeza da essência.

Copos são seres mágicos que vieram ao mundo para conter.

Existem para sustentar o que é informe.

E, tendo essa maneira de existir, não se importam se foram feitos de cristal, vidro, aço ou polipropileno.

Simplesmente transportam o que deve ser contido de um lugar para outro, emprestando seu vazio para preenchermos o nosso.

Pernas para ver, óculos para conter

Publicado por: fornada em: janeiro 5, 2012

 

Foi preciso sair daqui e ir para bem longe para poder enxergar.

De muito perto não há olho que não seja cego.

Por isso eu corri: foi para entender com a vista.

Assim, de longe, todo o horizonte cabe no frame. E ajustamos o imenso dentro do espaço dos óculos.

 

 

 

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Feliz Natal Queridos Amigos

Publicado por: fornada em: dezembro 24, 2011

Para os amigos que estão em contato só pelo blog aqui vai a minha mensagem de Natal.

Vão decorando a coreografia porque precisa de muita gente pra fazer um clip de música indiana!

Ano que vem dançamos juntos no Natal!

E neste, muita alegria, muita alegria. Alegria!!

 

http://www.youtube.com/watch?v=_uR9JAZdAfA&feature=related

Meus desejos de Natal

Publicado por: fornada em: dezembro 17, 2011

Vamos agora trabalhar por uma causa própria:

No próximo Natal gostaria de me dar como presente:

- Não sucumbir nunca mais à tentação irresistível de alugar filmes depressivos como “Melancolia” do Lars Von Trier. Para isso o papai noel tem que me dar mais juizo ou uma companhia alegre e autoritária que impeça a minha mão na hora H, na locadora.

- Sempre que possível, ou no mínimo a cada três meses, quero sair pela manhã para tomar sol e recarregar as substâncias invisíveis e indetectáveis do meu corpo. Só assim é possível ter bom humor para resistir aos filmes depressivos. Para isso preciso que o papai noel me dê um cachorro; este ser que domina os seres humanos a séculos, obrigando-os a sair cedinho para passear com eles.

- De vez em quando gostaria de parecer (não é necessário ser de verdade) uma mulher normal, que faz as unhas, passa creme de noite, depila a perna e lê alguma das revistas femininas com o mínimo de interesse. Afinal esse negócio deve ser necessário para a manutenção da feminilidade! Para isso o papai noel tem que me dar uma amiga perua que me arraste ao cabelereiro a cada quinze dias.  Obs.: Tem que ser amiga mesmo, para que eu possa encarar a via sacra.

- Desejo também que no próximo regime que eu fizer eu consiga comer regularmente e não passar fome três dias e às 23:30 h do terceiro dia de inanição pegar o carro até a D.Deôla e me entupir de bolo, sorvete e chocolate. Para isso preciso que o papai noel me dê     um mordomo que me acorde todo dia dizendo que estou linda e MAGRA. Comentários acompanhados de cafezinho ligth, na cama, com contação de histórias sobre as notícias do jornal, que não tenho paciência de ler.

Bem… acho que para o próximo ano está de bom tamanho.

Veja meu querido papai noel que não estou pedindo nada impossível, como um companheiro legal, um amigo leal, uma mudança de personalidade, tempo de sobra para passear de manhã e ganhar na loteria para ter um mordomo.

Sou modesta por natureza. Só quero uma boa companhia, uma boa amiga, um cachorro e …

Bem, eu sei que o mordomo não vai ser fácil.

Esse eu deixo a seu critério.

Afinal é Natal.

Dicas de presentes de Natal 02

Publicado por: fornada em: dezembro 8, 2011

Queridas amigas,

 

No último post uma leitora comentou a dificuldade que está tendo, este ano, pelo fato de sua filha estar revoltada por ter descoberto que Papai Noel não existe.

Deixo aqui este espaço disponível àqueles leitores que já passaram por esta situação para que sugiram algo ou deixem seu depoimento sobre este momento difícil na educação de nossas crianças.

De minha parte, tocada pela dificuldade desta amiga, só posso apresentar mais uma sugestão de presente:

 

Papai-Noel Transferencial 

Dê a sua filha um boneco de Papai-Noel que possa ser customizado. O kit vem com nariz de palhaço, chapéu de bobo da corte, roupinhas da Barbie, agulhas de acupuntura, sopa diet da Luciana Gimenez e Orbitrek.

Sua filha vai brincar à valer fazendo o Papai-Noel fazer ginástica sem parar, fazer dieta para perder a barriga, pagar mico vestido de Barbie e tudo o mais que ela poderá criar com os acessórios.

O Papai-Noel terapêutico servirá como bode-expiatório da ira que seria destinada a você.

As funções benéficas deste presente são muitas:

1. Ameniza a sensação abrupta de perda de inocência da menina mantendo-a brincando de boneca por mais um tempinho.

2. Transfere poder àquele que brinca através da teatralização do suplício do boneco.

3. Limpa a barra da mãe

4.  Economiza mais de R$ 700,00 pois, se a menina não tiver aonde depositar sua frustração ela vai pedir um WII.

 

 

Dicas para presentes de Natal

Publicado por: fornada em: dezembro 7, 2011

“Este ano, vamos usar a criatividade para presentear”

Seguindo a dica criativa que todo ano aparece nas revistas femininas elaborei uma lista de sugestões, super bacana, para presentear os seus neste Natal.

A intenção por trás destes presentes não é engrossar o já tão abarrotado clube dos consumistas mas, sim, ser útil para aqueles que queremos bem.

Afinal, nós mulheres, somos aquela força positiva dentro do lar; aquela que traz a concórdia, que ajuda nos conflitos, que se dá em prol do bem de todos. Aquela que descobre no fundo de cada bate-boca uma semente de amor.

Harmonizando irmãs

Conflito número 1: Filha de 12 anos que briga com a irmã toda manhã por ela ter sumido com a sua piranha.

Solução de presente: Piranha permanente

Levar a filha de 12 anos a uma dessas casas de Tatoo e piercing e colocar um alargador de orelha na menina. Ela vai amar a sugestão e achar que a mãe é moderninha. Quando o furo já estiver grandinho, instalar, em casa mesmo, uma cordinha de nylon no furo da orelha e na outra ponta amarrar uma piranha.

Certifique-se que o tamanho da corda permita que sua filha continue realizando suas atividades diárias sem incômodo.

Conflito número 2 (o outro lado da moeda): Filha de 21 anos que não consegue dormir pois é acordada todo dia às 06:30 h da manhã com a irmã, aos berros, procurando por sua piranha.

Solução de presente: Corte de cabelo “super-moderno” e Suplemento Fitoterápico para a memória.

Sugira um corte de cabelo super-cool para a sua filha de 21 anos: Tipo um desses  assimétricos e hiper-curtos, talvez com uma cor diferente de cada lado da cabeça. Certifique-se que seja curto o bastante para não precisar colocar piranha.

Ela vai achar que você é moderninha e nunca mais roubará, sem querer, a piranha da irmã.

O fitoterápico é para o caso dela esquecer que está sem cabelo e roubar a piranha da irmã mesmo sem ter como usá-la.

Aguardem que já, já, tem mais soluções de presentes para vocês nos próximos posts.

Beijão e Feliz Natal

Dar e Receber

Publicado por: fornada em: dezembro 5, 2011

Uma amiga citou, um dia desses, uma frase que a impressionou, do filme “Inverno da Alma”. A menina de 17 anos dizia para o irmão mais novo que uma pessoa não deve pedir a alguém aquilo que o outro deveria oferecer espontaneamente.

Peguei o filme emprestado para ver a frase sendo dita direto da face da personagem. O interesse era por afinidade. Tenho, eu, também uma frase parecida: ninguém deveria agradecer por receber amor.

Quem dá o faz porque não aguenta ficar com ele para si.

As duas frases falam da mesma coisa, cada uma de um lado do dar e receber.

Tendo assim explicado a mim mesma o que deve e não deve ser feito no bom comportamento dos afetos e na manutenção da dignidade humana passemos aos fatos:

É verdade que, nos últimos dias, passei por cima de, pelo menos uma, das regras de conduta acima, desconsiderando por completo uma norma que, longe de ter-me sido imposta; era fruto das minhas mais profundas convicções?

Sim. Pedi.

Deslavadamente, pedi o que deveriam ter oferecido sem eu abrir o bico.

Mas o pior está por vir! Aqui mesmo nesse texto!

Vou botar a culpa no Natal que está chegando, na falta ou excesso de algum hormônio, qualquer coisa.

Vou agradecer o inagradecível:

Obrigada pelas primeiras vezes de tudo.

Obrigada por aceitar realizar meu pedido mesmo sendo um pedido que não deveria ter sido feito.

Obrigada por daqui cinco anos.

 

 

Borboletas sempre voltam

Publicado por: fornada em: novembro 28, 2011

Este ano de 2011 – que já está prestes a acabar – Darwin e seus admiradores foram meus companheiros de cabeceira, à noite, antes de dormir.

Entre uma espiada ou outra em outros livros, também muito legais, não consegui largar de ler “A expressão das emoções no homem e nos animais” do próprio Darwin e a última edição de sua biografia, escrita por Janet Browne, “Charles Darwin – o poder do lugar”.

E, quando digo “ano” é no sentido absolutamente literal. A biografia tem dois volumes, com mais de oitocentas páginas cada, e os próprios escritos de Darwin fazem supor que ele não fez nada além de escrever na vida.

Agora sei que ele também vomitou muito. E também leu romances românticos, nos quais era viciado, destinados às mocinhas da época.

Intrigante e deliciosamente inesperado.

Como sempre é tudo o que é real.

O texto que reproduzo abaixo conta como Darwin “previu” a existência de uma borboleta, até então nunca vista, através da observação de uma orquídea.

 

Extraido de http://www.ideariumperpetuo.com/borboletas.htm

 

Os lepidópteros exploram diferentes recursos alimentares durante seu ciclo de vida.

As larvas de borboletas são tipicamente folívoras, enquanto os adultos consomem alimentos fluídos, como o néctar que extraem das flores ou o suco dos frutos maduros que caem das árvores.

Há que se atentar para o fato de que, no processo evolutivo, a associação de determinados grupos de insetos (gêneros, tribos, subfamílias etc.) obedece uma inter-dependência bastante rígida e exclusiva (famílias, gêneros, espécies etc.) com as plantas hospedeiras  que  compõem  sua  alimentação.

Além disso, os micro-habitats dessas plantas fornecem um lugar seguro para a reprodução e subsistência dos indivíduos e preservação de sua espécie.

A interdependência das espécies de insetos (como polinizadores) e plantas (como fonte de alimento) é tão sofisticada e exclusiva que o desaparecimento de um grupo compromete irremediavelmente  a 

existência  do  outro.

Para ilustrar a importância desses insetos no meio ambiente e exemplificar o que dissemos acima, temos o mais famoso dos casos  de  previsão da existência de uma espécie  na  Entomologia.

 

Angraecum Sesquipedale

com seu rostrellum (tubo)

curvado para cima

A mariposa Esfinge de Morgan, originária de Madagascar, tem uma tromba (probóscides) com cerca de 31 a 36 centímetros de comprimento que a permite coletar alimentos (néctar) de um tipo de orquídea que foi  estudada por Charles Darwin.

 

Em sua obra, “On the Various Contrivances by Which British and Foreign Orchids are Fertilized by Insects”, publicada em 1862, Charles Darwin predisse:“ . . . é surpreendente que algum inseto seja capaz de alcançar o néctar . . . Mas em Madagascar devem existir mariposas com probóscides com uma extensão de 25 a 28 centímetros . . . As políneas não poderiam ser coletadas a menos que uma imensa mariposa, com um probóscide maravilhosamente longo tentasse sugar a última gota. Se essa mariposa viesse a se tornar extinta em Madagascar, certamente que o Angraecum também seria extinto . . .”

 

Xanthopan coletando néctar

 

 

Quarenta anos depois, em 1903, Walter Rothschild e Karl Jordan descobriram e descreveram  essa mariposa  e deram-lhe o nome de Xanthopan morgani  predicta, que salienta o importante fato de ter tido sua existência predita pelo famoso naturalista inglês, ao estudar a orquídea Angraecum sesquipedale.

Essa orquídea produz e armazena néctar no fundo de um longo tubo (rostrellum). Ao tentar coletar esse doce líquido, a mariposa introduz sua longa espirotromba (probóscides) neste tubo e, ao fazê-lo, coleta as políneas que estão estrategicamente dispostas, e que serão levadas e depositadas em outra orquídea, polinizando-a.

Assim, para que essa orquídea com um tubo (rostrellum) de mais de 30 cm possa existir é necessário que um polinizador equipado com uma tromba de igual dimensão também exista.

Foi exatamente isso que a Xanthopan morgani predicta  veio 

comprovar!

 

Reabilitando as Borboletas

Publicado por: fornada em: novembro 27, 2011

Em um sonho, com muita influência de video game,  eu me via em um caminho estreito, cercada de precipícios por todos os lados.

Carregava nas costas uma mochila cheia de tralhas penduradas, que me provocava pensamentos circulares de indecisão.

Jogo tudo fora e ganho mais equilíbrio ou deixo tudo nas costas, pois é justamente esse peso extra que me permite prosseguir nesse espaço restrito?

Dúvida inútil, já que a Realidade já decretava a solução.

A simples intenção de retirar uma das alças me fazia perder o meio e quase cair no abismo.

“Não sou capaz de me mover como circense”  - pensei. “Mas estou em um game, dentro de um sonho, meu Deus! Onde está a quebra das leis da física, a libertação da lógica, a ficção enfim?!”

É curioso como a Realidade pode ter esse poder, mesmo fora de seu habitat natural.

Na imaginação, poderia acontecer que um Pterodáctilo viesse voando e me levasse para o seu ninho.

Ele viria berrando os sons esganiçados e ameaçadores que são característicos da sua existência imaginária; mas me levaria. Isso é o que importa.

Seria uma opção melhor que esse caminhar no fio da navalha.

Mesmo que depois eu descobrisse que estava sendo levada para virar comida no ninho das maiores alturas desta fase.

Ainda assim eu poderia lutar. Usar as duas vidas extras que ganhei no começo.

Mas, nada mágico acontecia.

O detonado do jogo havia ficado na escrivaninha da minha filha.

“Porcaria! Não posso sair do sono para buscar essa vantagem.”

“Só me sobra de ação andar. Um pé de cada vez, carregando a mochila e o peso do pensamento que não pára, a despeito da lógica.”

Não ousava olhar para trás, para não virar sal, mas tinha certeza que lá estava o passado; nas minhas costas. Abrindo-se todo em escombros de fases anteriores, zumbindo moscas e fumaças de animais mitológicos mortos.

Para frente, só o espaço de colocar um pé de cada vez.

Nenhum lugar para parar e tomar um café.

Nada para ver como horizonte.

“Andar no presente é  andar na corda bamba e ter esperança de possuir vidas extras para usar. Afinal, matei alguns monstros no começo.”

Conforme as regras do jogo, do corpo dos derrotados surgem duas mil borboletas. Com mil borboletas consigo uma vida.

Então, se a lógica usual funcionar, não lamentarei nunca mais ter lógica nos sonhos.

Terei vidas para gastar, e quem sabe, em outra fase, mais chão para pisar.

É só um jogo, dentro de um sonho.

Mas que parece terrivelmente real.

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